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O que é a teoria das múltiplas inteligências e como aplicar na educação?

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Sumário

Talvez você já tenha passado pela situação de não se sentir inteligente o suficiente, seja por não dominar uma disciplina ou não entender algum conceito. Mas com a teoria das múltiplas inteligências, o seu jeito de pensar sobre a sua própria inteligência vai mudar.

Quando pensamos em inteligência, a primeira referência são as avaliações de aprendizagem nas escolas tradicionais e os testes de QI. Esses modelos usam cálculos baseados no desempenho em provas para quantificar o quanto uma pessoa é inteligente.

Mas será mesmo que esse é o melhor método para medir as habilidades de alguém? Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, acham que não.

Na década de 1980, um grupo liderado pelo psicólogo Howard Gardner elaborou um estudo que ficou conhecido como teoria das inteligências múltiplas. O objetivo era analisar e entender como funciona a inteligência humana.

Neste artigo, vamos entender melhor como funciona a teoria das múltiplas inteligências e porque essa teoria é importante para a personalização do ensino.

O que é a teoria das múltiplas inteligências?

A teoria das inteligências múltiplas é um conceito elaborado pelo psicólogo cognitivo educacional Howard Gardner para descrever como cada ser humano demonstra suas capacidades cognitivas de maneira única.

Para entender melhor, vamos usar um exemplo: imagine duas crianças da mesma turma de uma escola. Ao aplicar uma avaliação de matemática igual para as duas crianças, uma delas consegue resolver a prova rapidamente e ter um bom resultado. Já a outra criança demora mais e apresenta dificuldades para compreender o assunto.

É natural que a conclusão seja de que a primeira criança é mais inteligente que a outra por ter mais facilidade com a prova. Mas é esse o tipo de pressuposto que a teoria das múltiplas inteligências busca desmentir.

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Para Gardner, cada indivíduo tem habilidades e aptidões únicas e apresenta mais, ou menos, domínio em áreas diferentes do conhecimento. Cada um desses domínios foi definido como um tipo diferente de inteligência que a pessoa pode desenvolver ao longo da vida.

Qual é a definição de inteligência humana?

A inteligência humana é um potencial biopsicológico, por isso, para que ela se desenvolva, outros fatores devem ser levados em conta, como a genética e o contexto social em que a pessoa vive.

As pessoas podem apresentar mais de um tipo de inteligência ao longo da vida. Isso acontece porque, segundo Gardner, todos nós nascemos com todos os tipos de inteligências, que passam a ser desenvolvidas e estimuladas à medida em que nos tornamos adultos.

Mas o que foi levado em conta para definir o que é uma inteligência? Para determinar o que é uma inteligência, Gardner utilizou os seguintes critérios:

  • Potencial prejuízo com dano cerebral – a possibilidade de perder a habilidade ou o domínio após danos na região cerebral responsável pela capacidade.
  • Existência de gênios – para uma habilidade ser considerada uma inteligência, é preciso que existem pessoas que tenham um alto domínio sobre a área.
  • Ter um conjunto de operações – a inteligência deve ser identificada a partir do uso de operações únicas, como a técnica musical ou habilidade com cálculos.
  • Ser possível se especializar – é fundamental que exista a capacidade de melhoria contínua dessa inteligência através de especializações, treinos e ensaios.
  • Ter uma história evolutiva – ao longo da história, outras pessoas devem ter apresentado e ajudado a evoluir a inteligência. 
  • Testabilidade – deve ser possível testar e avaliar a habilidade.
  • Codificação – capacidade de utilizar conjuntos de códigos ou símbolos ou para identificar a inteligência.

Esses critérios foram fundamentais para diferenciar o que é um tipo de inteligência do que seria apenas uma simples habilidade que pode ser aprendida com treino.

A diferença entre habilidade e inteligência está na facilidade e aptidão que algumas pessoas têm. Para que um domínio em uma área seja considerado uma inteligência, é preciso que ele surja naturalmente, sem a necessidade de um esforço excessivo.

Quais são os tipos de inteligências?

múltiplas inteligências

Os primeiros estudos de Howard Gardner definiram as inteligências múltiplas em sete tipos: inteligência lógico-matemática, linguística, interpessoal, intrapessoal, corporal, espacial e musical.

Alguns anos após os primeiros resultados, foram adicionados mais dois tipos, a inteligência existencial e a naturalista. Vamos conhecer melhor como cada uma dessas inteligências se manifesta.

Inteligência Lógico-Matemática

O tipo de inteligência definida como lógico-matemática diz respeito à habilidade que o ser humano tem de lidar com raciocínios dedutivos e conceitos matemáticos.

Pessoas com inteligência lógico-matemática elevada tem facilidade para resolver cálculos e podem se destacar nas áreas de exatas e programação.

Esse tipo de inteligência foi utilizado como referência para os testes de QI e, por muito tempo, foi considerado padrão para avaliar o desempenho cognitivo de crianças.

Inteligência Linguística

A inteligência linguística está relacionada com a capacidade de se comunicar, aprender novas línguas e utilizar a linguagem de forma excepcional, seja na forma escrita ou oral.

Escritores, jornalistas, linguistas, além de pessoas que têm facilidade para falar idiomas diferentes – os poliglotas – apresentam altos níveis de inteligência linguística.

Inteligência Espacial

O conhecimento espacial, ou visual, está ligado à habilidade de interpretar e criar imagens, seja através da cor, da forma, da textura ou do uso do espaço físico.

É a inteligência presente em maior grau nas pessoas que desempenham atividades relacionadas a arquitetura, design, artes visuais, moda, entre outros.

Uma curiosidade é que a inteligência espacial está presente em grandes jogadores de xadrez, pois essa habilidade demanda um grande estímulo para a interpretação visual das infinitas possibilidades de movimentos em um tabuleiro.

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Inteligência Físico-Cinestésica

Atletas, dançarinos e atores são alguns exemplos de pessoas que usam a inteligência físico-cinestésica a seu favor. Também conhecida como inteligência corporal, essa habilidade diz respeito ao controle do corpo e a execução de movimentos.

Mas não é apenas dançar bem ou decorar uma coreografia. Esse tipo de inteligência se relaciona com a compreensão do corpo e da capacidade de levá-lo ao limite.

Inteligência Interpessoal

A habilidade de se comunicar, persuadir e compreender o outro é conhecida pela teoria das inteligências múltiplas como inteligência interpessoal.

Pode ser encontrada em pessoas que ocupam espaços de poder e que têm facilidade de se expressar em público, como políticos, religiosos, psicólogos, médicos e professores.

Inteligência Intrapessoal

A inteligência intrapessoal está ligada à capacidade de entender as próprias emoções, sentimentos e desejos. Em outras palavras, ter autocontrole e conhecer a si mesmo.

Uma forma de estimular a inteligência intrapessoal é através da prática de meditação, exercícios físicos e atividades que estimulem o controle da mente e do corpo.

Inteligência Musical

A habilidade de reconhecer sons, melodias, acompanhar ritmos e tocar instrumentos está ligada ao que conhecemos como inteligência musical.

Essa inteligência está presente no trabalho de músicos e compositores, mas também pode ser observada em dançarinos, produtores musicais e outros artistas.

Inteligência Naturalista

A inteligência naturalista está ligada ao profundo conhecimento da natureza e da aptidão para lidar com ela, seja no relacionamento com animais, no cultivo de plantas ou mesmo no conhecimento geológico.

Esse tipo de inteligência pode ser encontrado em agricultores que, muitas vezes, mesmo sem estudos, apresentam um grande domínio sobre o uso da terra e do cultivo.

Inteligência Existencial

A capacidade de refletir sobre aspectos da existência humana foi considerada uma das últimas inteligências múltiplas categorizadas por Gardner.

Essa inteligência está relacionada com grandes filósofos e pensadores, que se dedicaram a estudar conceitos da metafísica e do comportamento humano.

Como a teoria das múltiplas inteligências se aplica à educação?

Um dos grandes avanços que a teoria das múltiplas inteligências trouxe para a sociedade foi entender que a inteligência humana é algo muito mais amplo e complexo do que é possível compreender através de uma prova ou de um teste de QI.

Cada pessoa tem suas limitações, personalidade e história de vida, por isso reduzir o desempenho a um único modelo de aprendizagem pode limitar a capacidade de demonstrar outras aptidões e habilidades.

Nas palavras de Howard Gardner, “O maior desafio é conhecer cada criança como ela realmente é, saber o que ela é capaz de fazer e centrar a educação nas capacidades, forças e interesses dessa criança”. Por isso, o caminho da educação está na personalização do ensino.

A educação personalizada leva em consideração que cada criança tem o seu jeito de aprender, seja através de leitura, de atividades dinâmicas ou até de expressões artísticas.

E uma das principais aliadas no processo de personalização do ensino é a tecnologia. Com ferramentas educacionais inovadoras, é possível indicar o melhor caminho para que o aluno aprenda, considerando as suas habilidades e inteligências individuais.

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Como estimular as inteligências múltiplas?

O melhor caminho para estimular o desenvolvimento de diferentes tipos de inteligências das crianças é permitir que elas expressem livremente seus desejos e aptidões.

Uma alternativa que escolas inovadoras podem implementar são currículos interdisciplinares, com propostas pedagógicas que utilizam metodologias ativas de aprendizagem e que colocam o aluno no centro do processo de ensino.

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Para isso, o papel do professor dentro de sala de aula é modificado. O educador passa a assumir um lugar de orientador e facilitador do processo de ensino, ajudando a criança a encontrar e desenvolver suas habilidades.

O estímulo ao desenvolvimento integral do aluno também deve fazer parte das avaliações de aprendizagem

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avaliação no ensino híbrido para múltiplas inteligências

Conclusão

Neste artigo, você aprendeu que o ser humano é capaz de desenvolver diferentes tipos de inteligência ao longo da vida e que o domínio de uma área do conhecimento não pode ser diminuído pela dificuldade em outra.

Compreender as capacidades das pessoas é o primeiro passo para construir uma educação mais humanizada, que esteja a favor do desenvolvimento de cada criança, e personalizar as trilhas de aprendizagem para estimular o melhor de cada estudante.

Fontes

GARDNER, H. Inteligências Múltiplas: a Teoria na Prática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.

CONCEITOS DE INTELIGÊNCIA E A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

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Rodrigo Dutra

Rodrigo Dutra

Estrategista de marca e especialista de conteúdo, minha missão é encontrar formas de flexibilizar e personalizar o aprendizado para que alunos irem além de seus potenciais.

Uma resposta

  1. Bom dia, paz e saúde para o editor e todas as pessoas do “tutor”! Artigo excelente esse que fala das inteligências, principalmente por pautar a necessidade de se compreender as pessoas (particularmente as crianças) na sua singularidade. Parabéns, necessário avançarmos mais com essa ideia e promover uma educação que seja adequada para cada pessoa, sem discriminar as habilidades, as competências…

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