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Novo ensino médio 2021: como se preparar?

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Sumário

O Brasil entra em 2021 com um grande desafio: a consolidação do Novo Ensino Médio   em todas as escolas do país.

Previsto para ser implementado até 2022, o Novo Ensino Médio propõe currículos flexíveis por meio de uma carga horária ampliada, possibilidade de aulas remotas, bem como outras transformações profundas nos anos finais da educação básica.

O novo sistema de ensino tem o objetivo de desenvolver o protagonismo dos estudantes na escolha de seu projeto de vida, além de garantir os direitos de aprendizagem comuns a todos, a partir dos referenciais propostos pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Neste artigo, você vai conhecer as principais mudanças do Novo Ensino Médio e como se preparar para levá-las aos seus alunos.

Quais as principais mudanças no Novo Ensino Médio?

O Novo Ensino Médio amplia a carga horária dos estudantes na escola e estabelece mudanças na estrutura curricular, com disciplinas obrigatórias e eletivas.

A reforma estabelece uma arquitetura curricular flexível, dividida em aprendizagens comuns e essenciais, definidas pela BNCC, como também em itinerários formativos, os quais oferecem caminhos distintos aos estudantes.

Antes da reforma, as escolas deveriam disponibilizar uma carga horária de 2.400 horas no Ensino Médio. Com a mudança, a carga horária total passa a ser de 3.000 horas.

Do total de carga horária, 1.800 horas serão usadas para as aprendizagens obrigatórias, enquanto 1.200 farão parte do itinerário formativo.

A reforma também visa a ampliação da oferta de escolas em tempo integral. Para elas, a carga horária é ainda maior, alterando-se para 1.400 horas anuais ou 7 horas diárias.

O que a BNCC diz sobre o Ensino Médio?

A BNCC é um documento que estabelece as competências e as habilidades essenciais para todos os estudantes, a fim de garantir um ensino de qualidade.

Ela aponta 10 competências gerais, as quais  permeiam toda a educação básica, além de competências específicas para cada área do conhecimento e fase do desenvolvimento escolar.

Entre as competências gerais estão o desenvolvimento socioemocional, a cultura digital e a autonomia na construção do projeto de vida .

Todas essas competências angariam força com a adoção de metodologias ativas de aprendizagem e ensino híbrido nas escolas.

Saiba mais >> Transformação digital na Educação: 5 tendências para 2022

No Novo Ensino Médio, a elaboração das aprendizagens essenciais e comuns dos currículos será realizada a partir da BNCC.

O documento define competências e habilidades para as quatro áreas do conhecimento: Linguagens e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.

A organização por áreas do conhecimento estimula que os componentes de uma mesma área sejam trabalhados de forma integrada.

Dentro de cada área do conhecimento, a BNCC aponta componentes curriculares, ou seja, as disciplinas. 

  • Linguagens e suas Tecnologias. Com as disciplinas: Arte, Educação Física, Língua Inglesa e Língua Portuguesa*
  • Matemática. Com a disciplina: Matemática*
  • Ciências da Natureza. Com as disciplinas: Biologia, Física e Química
  • Ciências Humanas e Sociais Aplicadas. Com as disciplinas: História, Geografia, Sociologia e Filosofia

* Língua Portuguesa e Matemática são os únicos componentes curriculares com competências específicas, que devem ser trabalhadas, obrigatoriamente, durante toda a extensão do Ensino Médio.

Como é a organização curricular do Novo Ensino Médio?

As mudanças curriculares propostas pelo Novo Ensino Médio passam pelo desenvolvimento de competências, que viabilizam a formação integral do estudante, a oferta de educação profissional e a criação de currículos com uma parte comum e uma flexível.

Os currículos do Novo Ensino Médio 2021 deverão combinar tanto a formação geral básica, definida pela BNCC, quanto uma carga horária flexível, presente nos itinerários formativos.

Não existe um modelo único para articular esses dois blocos. Nessa perspectiva, a elaboração do currículo se iniciará com um processo de escuta qualificada das partes envolvidas, e a realização de um diagnóstico dos recursos e necessidades da escola, seus alunos e professores.

As escolas, portanto, poderão escolher os formatos de aula, como a duração e os locais, em que as atividades serão realizadas, podendo ocorrer inclusive com modelos de ensino a distância, desde que não ultrapasse 20% da carga horária para o ensino médio diurno e 30% no noturno.

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Parte da carga horária poderá acontecer em instituições credenciadas, vivenciando atividades presenciais como aprendizagem profissional, cursos técnicos e de idiomas, trabalho voluntário, entre outros.

O Novo Ensino Médio estimula a criação de outras formas de organização curricular, como a divisão em módulos,a criação de grupos de estudo, observatórios, clubes e oficinas, assim como atividades baseadas em projetos, entre outros.

A periodicidade e duração dos currículos também podem ser flexíveis. Dessa maneira, será possível criar atividades anuais, semestrais, bimestrais, ou como fazer mais sentido para os objetivos educacionais.

O que são os itinerários formativos do Novo Ensino Médio?

Os itinerários formativos devem possibilitar que os estudantes escolham as áreas que pretendem aprofundar seus conhecimentos.

Eles podem ser organizados em uma ou mais áreas do conhecimento e de formação técnica e profissional, e os alunos podem cursar, ao longo das 1.200 horas, um ou mais itinerários formativos. 

As escolas têm autonomia para definir a oferta de itinerários formativos, considerando as necessidades dos estudantes e os recursos disponíveis.

O itinerário formativo pode ser realizado na mesma escola onde o aluno faz o Ensino Médio, de forma integrada, ou em instituições parceiras, considerando critérios estabelecidos pelos sistemas de ensino.

Como será o Enem no Novo Ensino Médio?

O Exame Nacional do Ensino Médio também passará por mudanças. A prova será realizada em duas etapas.

A primeira será comum a todos e contará com os aprendizados gerais da BNCC. A segunda etapa abrange as aprendizagens desenvolvidas nos itinerários formativos.

O estudante poderá escolher as provas da segunda etapa, de acordo com a área do ensino superior que irá concorrer. Já as IES deverão considerar os resultados de ambas as fases do certame em seu processo seletivo.

Como as escolas estão se preparando para o Novo Ensino Médio?

O processo de implementação das mudanças propostas pelo Novo Ensino Médio já começou e é dividido em três etapas: 

  1. Levantamento das informações necessárias;
  2. (Re)Elaboração dos currículos;
  3. Sua consolidação na prática.

Levantamento das informações necessárias

A preparação deve considerar o estudo das possibilidades de organização dos novos currículos, a escuta dos jovens, pais e professores e o diagnóstico de todos os recursos disponíveis. 

A escola precisa estudar a BNCC a fundo, com o propósito de garantir as aprendizagens essenciais da formação básica geral e contemplar o desenvolvimento das competências e habilidades expressas no documento.

É preciso conhecer as diversas possibilidades de construção dos itinerários formativos, considerando suas particularidades e possibilidades de oferta nas escolas.

Os currículos devem organizar-se de modo interdisciplinar. Para tal, as escolas podem criar unidades curriculares diversas, como projetos, oficinas, clubes, laboratórios, entre outras formas de organização, para desenvolver as aprendizagens.

O primeiro passo para estimular o protagonismo do jovem é escutar suas demandas. Para atingir esse objetivo, é necessário construir canais de comunicação diversos, que garantam uma escuta igualitária e participativa.

Além de escutar as necessidades dos estudantes, é importante compreender os interesses dos professores e estabelecer um diálogo com a sociedade.

O processo de escuta pode ser feito através de rodas de conversa, questionários estruturados e seminários regionais.

O segundo passo é diagnosticar as capacidades físicas e operacionais, como também os recursos financeiros e humanos disponíveis. Esse trabalho permitirá a construção de currículos adequados à realidade local.

Entre os principais pontos a serem considerados, destacamos a estrutura física das escolas, o corpo docente, a possibilidade de parceria com outras instituições, a capacidade financeira e a estrutura de transporte da cidade.

(Re)elaboração dos currículos

A construção do novo currículo passa por um longo planejamento, que envolve a composição de uma equipe responsável pela elaboração curricular e grupos de trabalho, que desenvolverá a proposta, de forma colaborativa e transparente.

A definição da estrutura passa pelo estudo dos conceitos trabalhados pela BNCC, os quais possibilitam definir as diretrizes utilizadas para a elaboração do currículo, as unidades curriculares, as disciplinas e a definição dos itinerários formativos.

Com o documento curricular pronto, ele passa para homologação pelos conselhos estaduais de educação, até sua divulgação com todas as recomendações indicadas pelo órgão.

Implementação do Novo Ensino Médio

Após a elaboração dos currículos, as redes de ensino e as escolas devem implementá-los. Um ponto essencial é a revisão da formação de professores e do material didático utilizado pelas escolas, para adequação às novas diretrizes.

Saiba Mais >> Entenda como utilizar um Ambiente Virtual de Aprendizagem

A implementação do Novo Ensino Médio deve ser progressiva, com experimentação por meio de projetos pilotos e a criação de grupos de trabalho responsáveis pelo novo currículo.

Devem ser criadas condições para que os itinerários formativos sejam implementados, levando em consideração a construção de parcerias, a possibilidade de cursos a distância e a contratação de profissionais com notório saber.

Como fica a implementação do Novo Ensino Médio com a pandemia de COVID-19?

Além das dificuldades que já existiam na educação brasileira, 2021 tem outro obstáculo a ser enfrentado. A pandemia de COVID-19 obrigou o fechamento de escolas e acelerou o processo de digitalização do ensino, com a aplicação emergencial do ensino remoto.

Com isso, a implementação dos novos currículos para o Ensino Médio em todo o país, com conclusão das primeiras fases prevista para março de 2022, pode atrasar.

As fases de consulta pública, homologação dos documentos e formação dos professores, apesar de poderem ser transferidas para o formato virtual, não acontecem igualmente para todos os estados e sofrem com o impacto do distanciamento social.

Os estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental em 2020, que ingressam no Ensino Médio em 2021, chegarão com possíveis perdas de aprendizagem. As escolas, por sua vez, precisarão agir para reduzir os prejuízos para esse grupo e oferecer estratégias de apoio.

A tecnologia será uma das principais aliadas para reduzir o prejuízo no aprendizado dos estudantes em 2021. Prevista no texto da BNCC como uma das competências a serem desenvolvidas, a cultura digital deve estar, gradativamente, mais presente nas escolas.

e-book ensino híbrido

Por isso, enxergar a tecnologia como aliada do Ensino Médio pode trazer benefícios e diminuir os obstáculos para a implementação de mudanças que vão transformar a educação daqui para a frente.

Fontes

Guia de implementação do novo ensino médio

Mapa de materiais de apoio ao currículo

Pandemia aumenta desafios para a implementação do novo ensino médio

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Rodrigo Dutra

Rodrigo Dutra

Estrategista de marca e especialista de conteúdo, minha missão é encontrar formas de flexibilizar e personalizar o aprendizado para que alunos irem além de seus potenciais.

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