aprendizagem visual para nativos digitais

Nativos digitais: Como tornar o processo de ensino-aprendizagem mais efetivo

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Durante o período greco-romano o mestre era uma figura de respeito, digno de profunda admiração, a ponto de fundarem novas “escolas de pensamento”, não só relacionadas ao conhecimento, mas também ao estilo de vida, como observado em Epicuro, Platão, Aristóteles, dentre outros. 

Entretanto, na atualidade, quando olhamos para os nativos digitais, conceito explicado abaixo, o professor enfrenta diversos desafios para executar o seu trabalho devido às próprias dificuldades sociológicas do período.

Os Nativos Digitais

Caracteriza-se como nativos digitais3 os estudantes da geração atual, desde o maternal até o médio.

O conceito indica que os alunos dessa era são extremamente ambientados com a tecnologia, incluindo jogos, vídeos e interações sociais através do meio digital.

Tal relação com os recursos tecnológicos os caracteriza como mais imediatistas, isto é, os estudantes esperam encontrar o que precisam exatamente no momento em que necessitam.

Então, se o jovem tem interesse em um assunto relacionado à matéria mencionada pelo professor, ele quer saber prontamente, não quer esperar outra aula ou chegar em casa para poder pesquisar.

Logo, se suas expectativas não são supridas no momento, ocasiona desinteresse ou dificuldade de foco e absorção do conteúdo, especialmente se somado a isso o aluno possuir um estilo de aprendizagem global4.

nativos digitais e o ensino híbrido

Além disso, o ambiente é diferente, pois em casa, nos jogos ou nas redes sociais ele é ativo, é o principal personagem, escolhe o que deseja fazer, ouvir, ler ou assistir.

Nos games, o jogador monta a própria estratégia e toma suas próprias decisões. Todavia, esse jovem chega na escola e precisa ficar sentado por horas, em situação majoritariamente passiva, apenas prestando atenção a um professor que dificilmente sabe usar ou possui recursos digitais disponíveis para a utilização em sala de aula.

Portanto, para essa geração o comportamento passivo de aluno, que significa “sem luz” em latim, é uma tarefa difícil em relação ao iluminado professor.

Aspectos Sociais

Nos aspectos sociais entende-se que a educação é um processo cultural e, portanto, não está restrita ao espaço da sala de aula.

Uma vez que “não existe prática educativa sem sociedade e nem sociedade sem prática educativa”2, é notório que todo o ambiente influencia na educação do aluno.

Esse fato favorece a crescente de desafios para o trabalho do professor, uma vez que o estudante traz consigo toda uma bagagem externa que afeta o aprendizado e comportamento em sala de aula. 

O impacto das desigualdades

As existentes desigualdades sociais e culturais5 contribuem para que a sala de aula seja um lugar pluralizado, tornando a docência ainda mais árdua.

O professor precisa que seu ensino alcance diversos tipos de alunos ao mesmo tempo, alguns têm embasamento teórico que outros não, o que obriga o professor a ir em um ritmo lento, muitas vezes.

Outro problema é que os nativos digitais aprendem de formas diferentes, uns são mais visuais enquanto outros são sinestésicos, por exemplo, então a menos que o professor consiga se multiplicar para atender a cada um individualmente, o ensino ficará deficitário.

Uma alternativa para amenizar tal problemática é a implementação do ensino personalizado.

O uso das metodologias ativas

Com o reconhecimento dessa pluralidade de estudantes, o uso de metodologias centradas no aluno é necessário para que, assim, o processo de ensino seja mais eficaz6.

Cita-se especialmente as metodologias ativas, caracterizadas pelo protagonismo e responsabilidade do jovem ante seu próprio aprendizado. São exemplos a sala de aula invertida, o ensino baseado em problemas (PBL), problematização de conteúdos e a gamificação.

Nessas metodologias os alunos vivenciam uma experiência de ensino mais próxima do que eles estão acostumados, já que são nativos digitais.

Além dessas, há o ensino híbrido, técnica que alia recursos tecnológicos complementando o ensino dentro e fora da sala de aula.

Com esses auxílios o aluno pode ter mais autonomia e capacidade de direcionar seu foco para as dúvidas ou até mesmo para entender bases que ele ainda não compreenda.

Esses métodos combinados aliviam a carga de trabalho e demanda do professor, permitindo que o mesmo possa direcionar um atendimento mais individualizado aos seus estudantes. 

Do texto para o visual

Outro fator sociológico interessante é como a mudança de gerações também afeta a maneira com a qual as pessoas absorvem as informações. Por muito tempo a fala foi a principal forma de comunicação, as famílias passavam seus valores e princípios através da tradição.

Porém, após a invenção da imprensa, a escrita passou a ser esse meio principal, pois tudo precisava ser escrito e a leitura era a melhor forma de se informar e aprender. 

aprendizagem visual

Mais recentemente, com a chegada da televisão, internet e jogos, o visual passou a ser a forma principal de comunicação, conforme afirmado por Rogness: “As imagens e os gráficos são o coração da comunicação, e não as palavras ditas”7.

Com essa lógica, para que o processo de ensinar alcance essa nova geração de alunos, precisamos tornar a informação e o ensino mais visual de forma efetiva.

Dificuldades estruturais

Por outro lado, sob o aspecto governamental, o Ministério da Educação (MEC) permite muitos alunos por classe, o que dificulta um ensino eficaz.

A melhor estratégia seria um atendimento mais individualizado porém, com quarenta alunos em sala, isso se complica em apenas uma ou duas horas de aula semanais.

Além disso, a escola raramente está equipada de maneira adequada com os ideais recursos tecnológicos e digitais para que o docente realize um trabalho diferenciado. Desse modo, torna-se inviável um ensino eficiente com turmas tão cheias e infraestrutura precária.

Outro obstáculo é a quantidade de conteúdo e o calendário escolar, já que a educação no país é focada em vestibulares. Desse modo, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) propõe que cada série escolar aprenda um número de conteúdos, entretanto, como cada aluno e turma tem o seu ritmo, cumprir o calendário é desafiador, o que acaba gerando um ensino “bancário”.

Assim, o docente acaba tendo que “depositar” os conteúdos nos alunos, sem dinamizá-los ou ligá-los com a realidade, afinal, não há tempo para isso! Consequentemente, o ensino fica maçante para os alunos, que muitas vezes tem aversão à escola.

E, já que o calendário escolar deve ser cumprido a qualquer custo, as aulas não podem parar caso alguns desses não tenham compreendido o conteúdo.

Como atender os nativos digitais no Brasil

As dificuldades sociais, governamentais e institucionais atravancam muito o processo de ensino-aprendizagem para os nativos digitais.

Logo, para que esse quadro seja revertido, é necessário que existam ações externas à escola para que a desigualdade seja amenizada.

Contudo, não basta apenas aguardar essas atitudes exteriores, a escola precisa se reinventar e adaptar para conseguir lidar com essa geração de nativos digitais. 

É automático pensar que para isso seria necessário muito investimento em tecnologia. Porém, para algumas dessas práticas, como a sala de aula invertida, não é necessário que a escola tenha um grande aporte tecnológico.

Entretanto, é importante que professores e gestores priorizem o aprendizado do aluno e sejam adequadamente treinados para o uso de metodologias ativas.

Fontes

  1.  Disponível em: https://biblehub.com/str/greek/1320.htm
  2.  LIBANEO, José Carlos. Didática. São Paulo, SP: Editora Cortez, 2017.
  3.  MATTAR, João. Games em Educação: Como os nativos digitais aprendem. São Paulo, SP: Pearson, 2010.
  4. Estilos de aprendizagem: um estudo comparativo
  5.  GATTI, Bernardete A.. Formação de professores: condições e problemas atuais. Revista Internacional de Formação de Professores, [S.l.], p. 161-171, mai. 2016. ISSN 2447-8288. Disponível em: <https://periodicos.itp.ifsp.edu.br/index.php/RIFP/article/view/347/360>. Acesso em: 21 jul. 2020.
  6.  RIBEIRO, João Lucas et al. A importância da didática na formação docente. Goiânia, GO: ELICPIBID 4° edição.
  7.  ROGNESS, M. Preaching to a TV Generation: The Sermon in the Electronic Age. Lima, Ohio: The CSS Publishing Company, 1994. Pg 15.
  8.  A qual é criticada por Paulo Freire.

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Thais Benedetti

Thais Benedetti

Formada em Teologia e atualmente graduanda em Letras, com extensão em Tecnologia e Educação. Lecionou na Rede Adventista de Educação e atualmente trabalha como professora particular, corretora, e tutora de redação, filosofia, sociologia e inglês no Tutor Mundi.

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