Como corrigir: Competência 1

A primeira competência da Matriz de Referência do Enem avalia o domínio que os participantes desse exame apresentam em seus textos quanto à modalidade escrita formal da Língua Portuguesa.

Basicamente, devemos nos atentar aos seguintes aspectos: a estrutura sintática e a presença de desvios.

A grade de correção é a seguinte:

Manual do corretor da Competência 1 Enem 2019

Estrutura Sintática #

Então, a primeira coisa a ser avaliada é a estrutura sintática, mas o que exatamente avaliamos nessa parte?

Os textos com falhas relacionadas à estrutura sintática geralmente apresentam (1) períodos truncados e justaposição de palavras, (2) ausência de termos ou (3) excesso de palavras (elementos sintáticos).

Truncamento #

Pode haver a presença de um ponto final separando duas orações que deveriam constituir um mesmo período (truncamento).

Casos comuns desse tipo são:

  • Começar período com gerúndio, como no caso abaixo:
    “A internet está disponível a quase todos. Afetando muito o comportamento das pessoas.”
  • Começar período com “pois, porque, mas, e”:
    “A desigualdade entre regiões no Brasil afeta a todos. Porque o país é um só.”
  • período unicamente com adjunto (muito comum nas propostas de intervenção):
    “abrindo espaço para locais responsáveis pela formulação. A fim de resolver a problemática.”

Assim, para deixar correto, é preciso trocar os pontos finais por vírgulas.

Justaposição #

Uma vírgula no lugar de um ponto final que deveria indicar o fim da frase (justaposição), o que interfere na qualidade da estrutura sintática.

Casos comuns desse tipo:

  • períodos longos;
  • parágrafos de período único;

“As doenças mentais atacam 322 milhões de brasileiros, geralmente a pessoa costuma a fica com confusões mentais, a pessoa sofre de transtorno Emocional e isso atrapalha seu dia a dia.”

Excesso de palavras #

São erros comuns nessa categoria:

  • O aluno escreve palavras seguidas repetidas por desatenção;

“E cabem também às escolas escolas criarem”.

  • Coloca artigo em partes que ele já está incluso

Ex: “isso é ocasionado pelas as redes sociais”;

  • Adicionam “em” em frases que não o requerem (muito comum nas introduções);

Na série Round Six, apresenta a difícil realidade de quem tem dívidas” – seria simplesmente “A série” nesse caso, já que ele utilizou voz ativa.

  • Adicionam “em” em “o qual, a qual”.

“Isso deve ser feito pelo governo, no qual precisa desenvolver projetos…”

  • Colocam “se” onde não é reflexivo:

“No entanto, vale se mencionar as doenças mentais como…”

Ausência de termos #

Quando faltam termos essenciais como sujeito, o verbo ou o complemento.

  • Sem sujeito;

“De acordo com a Organização Mundial da Saúde, afirma (quem afirma?) que o Brasil é o país com mais casos…”

  • Sem verbo;

“O governo (o que?), a fim de resolver a problemática, por meio de políticas públicas.” (é comum as pessoas colocarem tantas intercalações que esquecem de terminar a principal).

  • Sem complemento;

“O governo deve fazer (o que?) , por meio de emendas, a fim de promover a igualdade, assim, evitando…”

O quanto a quebra de estrutura sintática influencia na nota #

A frequência com que essas falhas ocorrem no texto e o quanto elas prejudicam sua compreensão como um todo é o que ajudará a definir o nível em que uma redação deve ser avaliada.

Por fim, para que um texto seja avaliado no nível 5, ele não pode ter mais que UMA quebra de estrutura sintática, logo, se tiver duas quebras, já desce para 160 (sem contar os outros desvios).

Desvios #

Você deve considerar desvios os seguintes elementos:

Manual da Competência 1 de 2019

Todos esses erros são comuns, é preciso estar atento a todos.

Convenções de escrita #

Acentuação #

            Esse tipo de desvio ocorre quando o estudante esquece o acento, coloca o acento errado ou acentua palavras que não são mais acentuadas devido ao Novo Acordo Ortográfico.

            Exemplos comuns são:

“tambem” sem acento, “nao” sem o til, “e” sem acento.

Alêm com circunflexo em vez de agudo;

ideia com acento, assembleia acentuado, leem com circunflexo;

Novo Acordo Ortográfico #

Algumas regras sobre os acentos:

Os ditongos (encontro de duas vogais na mesma sílaba) em palavras paroxítonas perderam o acento agudo.
(ideia, assembleia, plateia)

Os hiatos (encontro de duas vogais de sílabas diferentes) em palavras paroxítonas formadas pelas letras “i” ou “u” perderam a acentuação na nova ortografia, nos casos em que estes vêm após um ditongo:
(feiura, Taoismo)

Outras palavras que perderam o acento foram as que tinham terminações em “ôo” ou “êem”.

Ortografia #

Nomes próprios e palavras estrangeiras escritas ou acentuadas de maneira errada NÃO CONTAM como desvios de ortografia.
Exemplos: Faque News; Nietxhce;

Qualquer outro desvio que não se encaixe nisso deve ser considerado. Alguns bem comuns são: Por tanto, atravéz, derrepente, atráz, pobrema;

Hífen #

Devido ao acordo ortográfico, encontrar desvios envolvendo o hífen é comum. São 3 situações:

Em vez de hífen eles dão um espaço, como em: super homem, micro ondas

Colocam hífen quando é para ser tudo junto. Exemplos: Auto-estima; auto-móvel; anti-racista

Ou deixam tudo junto quando é para ter hífen, como: Antiinflacionário.

Algumas regras básicas sobre isso:

Na maioria dos casos, só haverá hífen quando a primeira letra da palavra for igual à última do prefixo, como em: hiper-realista; anti-inflamatório. Agora, em antirracismo, autoestima – por exemplo – não deve haver hífen.
O mesmo é válido se a palavra começar com H.

São prefixos que sempre devem ter hífen: além, aquém, bem, ex, super, pós, pré, pró, recém, sem, vice.

Além disso, muitos alunos não colocam o hífen para separar o pronome oblíquo, como “envialos (enviá-los);

Maiúsculas #

Em caso de maiúsculas, o que considerar desvio?

  • períodos iniciados com letra minúscula;
  • nomes de pessoas grafados com letra inicial minúscula;
  • nomes de países, continentes e outras áreas geográficas grafados com letra inicial minúscula;
  • nomes de eventos e acontecimentos históricos grafados com letras iniciais minúsculas (“Segunda Guerra Mundial”, “Proclamação da República”, “Guerra de Canudos”, “Reforma Protestante”, “Idade Média” etc.) – nesses casos, considera-se um único desvio para o nome como um todo. Ex: “segunda guerra mundial” > 1 desvio;
  • “Constituição” ou “Constituição da República Federativa do Brasil” grafados com letras iniciais minúsculas – nesses casos, considera-se um único desvio para o nome como um todo: “constituição da república federativa” > 1 desvio;
  • “Estado”, como sinônimo de conjunto das instituições que controlam uma nação, grafado com letra inicial minúscula;
  • uso indevido de inicial maiúscula em substantivos comuns, verbos ou pronomes, (exemplo comum: “País” com maiúscula, por causa do novo acordo ortográfico).

Ou seja, os casos que não estão inseridos aqui não devem ser penalizados, como: nomes de ministérios em minúscula, governo com minúscula etc.

Divisão silábica #

Esses casos são mais raros, porque muitos estudantes pulam para a linha de baixo em vez de escrever a palavra pela metade. Entretanto, se estiver separado errado, deve ser penalizado.

Alguns exemplos de inadequações:

Aproxim-adamente; Atrave-ssar; Assi-m.

Erros de gramática #

Regência #

Muitos alunos colocam preposição em verbos que são transitivos diretos  (não aceitam preposição) ou não colocam preposição em verbos que são indiretos (e que, portanto, exigem preposição).

Abaixo uma tabelinha com os erros de regência verbal mais comuns nas redações:

VerboErroExemplos
AcarretarNão aceita preposição, como “em”, “para” ou “a”“em que acarreta multa…”                                           
Errado: acarreta EM multa.
CorroborarNão aceita preposição, como “em” ou “para”“o povo corrobora a problemática”…                
Errado: Corrobora com/para a problemática.
ImplicarNão aceita preposição (no sentido de causar algo)“Que implique punição”…                                         
Errado: que implique EM punição.
AssistirNo sentido de ver exige a preposição “a”“para que possam assistir ao programa”
Errado: para que possam assistir o programa.
PreferirA preposição correta é “a”, não “do que”“preferem fake news à vacina”
Errado: preferem fake news do que vacina.
PagarExige a preposição “a”“deve pagar aos necessitados”…
Errado: Deve pagar os necessitados
ComunicarExige a preposição “a”“comunicar aos pais”…                                              
Errado: Comunicar os pais

Existem também os erros de regência nominal (esquecem de colocar a preposição “a”), especialmente com algumas palavras, tais como:

Acesso, devido, combate, quanto, adequado, análogo, paralelamente, obediente, semelhante, alheio, nocivo, propício, aversão, respeito, benéfico, referente.

Concordância #

Tanto os erros de concordância verbal quanto nominal devem ser penalizados.

O manual do Enem foca mais na questão do “necessário” – muito utilizado na proposta de intervenção. A concordância de “ser necessário” e “fazer-se necessário” será cobrada quando o elemento que vier na sequência for introduzido por um determinante (como artigo, pronome indefinido, pronome demonstrativo). Assim, em “é necessário campanhas”, não há desvio; entretanto, em “é necessário uma campanha”, há um desvio, pois o correto seria “é necessária uma campanha”.

Entretanto, é necessário prestar atenção e pontuar os erros de concordância verbal e nominal.

Concordância verbal #

São casos comuns de erros de concordância verbal:

“A falta de recursos governamentais dificultam o problema”

O núcleo do sujeito é falta, mas os alunos confundem com o adjunto, por isso colocam o verbo no plural. O contrário também acontece:

“Os moradores dessa região desenvolve”

Por isso, é importante ler com atenção e sempre identificar o núcleo do sujeito.

Outro problema recorrente é o aluno colocar um sujeito composto e deixar no singular:
“A fome entre as camadas mais pobres e a desigualdade social no país é a causa do problema”

Além disso, os alunos confundem palavras que representam um coletivo como sendo um plural, como:

A população devem; a sociedade brasileira precisam; o grupo necessitam…

E em casos de “partitivo”, ou seja, quando envolve expressões como: maioria, parte, grande parte… Por mais que, se o adjunto estiver no plural, é permitido o verbo no singular ou no plural, dê a preferência para o singular.

Concordância nominal #

Os erros de concordância nominal nas redações são geralmente relacionados aos adjetivos. Casos como: Os governos inteligente, a população inertes…

Desvios de Pontuação #

IMPORTANTE: O uso de aspas só deve ser penalizado CASO o estudante abra as aspas e não as feche. Nos outros casos, elas não podem tirar pontos  (exemplo, se o aluno usa uma palavra estrangeira, ele não precisa colocar entre aspas; ou se coloca aspas para indicar ironia, não deve ser penalizado).

Vírgula #

Acontece muito a separação de:

• sujeito e predicado;

Isso porque os alunos pensam que o sujeito está “muito grande” e acabam colocando uma vírgula, exemplos:

As grandes empresas do ramo imobiliário no interior do país, devem rever seus planos…

Não importa o tamanho do sujeito, nunca deve haver vírgula entre ele e o verbo.

• verbo e objeto (complemento);

…é preciso conscientizar, a população…

Conscientizar é o verbo, mas conscientizar o que? A população, por isso, aquela vírgula está incorreta.

• conjunção subordinativa e oração subordinada;

Ou seja, na maioria das vezes, esse problema acontece envolvendo o QUE:

É importante ressaltar que, o governo…

• locução conjuntiva e a oração subordinada que introduz.

Em suma, quando colocam vírgulas após as expressões: uma vez que, visto que, ainda que…

Basicamente, só haverá vírgula depois de QUE quando houver um deslocamento em seguida (… Exemplo: uma vez que, devido à inflação, a população…).

É comum o erro antes ou depois de “e”. Entretanto, antes de “e” (quando é aceito se o sujeito for diferente) o Enem não considera se tiver vírgula ou não, ainda assim, é muito importante pontuar o erro para o estudante.

O que fazer em caso de deslocamentos? O Enem exige que adjuntos adverbiais com três ou mais palavras (adjuntos adverbiais longos) estejam isolados por vírgulas quando deslocados do final da oração, sua posição esperada.
Exemplos: “na maioria das vezes” deslocado, se não estiver isolado, deve ser penalizado, entretanto “às vezes” não precisa estar isolado por vírgulas.

Paralelismo sintático #

Basicamente, é a ausência de repetição. Mas como assim repetição? Isso não é abominável no Enem? Não é bem assim! No caso do paralelismo, são estruturas necessárias para a coerência da frase! Exemplo:

A Constituição garante o direito ao emprego, saúde e segurança… < isso está errado, deve ser: direito ao emprego, à saúde e à segurança…

Diariamente vemos notícias que tratam do problema do uso indevido de dados pessoais dos usuários e a falta de leis que regulem as empresas que exploram esses dados.
Ficou esquisito, não? Para o problema ser resolvido é preciso colocar a preposição. Com um “da” ali, o paralelismo deixará a frase mais coerente.

Entretanto, esse tipo de paralelismo não é cobrado no Enem, no manual de 2021 eles deixaram claro que o que será avaliado é apenas a PRESENÇA DE ARTIGOS (ainda assim, é importante corrigir esse tipo de problema, pois será cobrado em qualquer outra avaliação que o aluno fizer).

Exemplos: Isso se é bom para a população, (falta o artigo aqui) planeta e para o governo.

Pronomes #

É importante relembrar a classificação dos pronomes:

Uso incorreto de ESTE/ ESSE etc não deve ser penalizado, mas você pode explicar ao aluno como usar de forma adequada (afinal, isso será penalizado em qualquer outro tipo de avaliação)

Muitos erros são por começar frase com pronome obliquo. São alguns exemplos:

Se infere, portanto, que… Correto seria: Infere-se, portanto, que…

Se desenvolve um problema no país… Correto: Desenvolve-se um problema…

Em início de frase é preciso sempre ser ênclise, problemas com o uso incorreto da próclise também ocorrem com frequência.

Sempre depois de palavras de conotação negativa “não, nunca, jamais, nem, ninguém” deve ser próclise.

… não sabe-se a causa… Está errado, o correto seria “não se sabe a causa”.

O mesmo ocorre depois de “que, quando”, pronomes demonstrativos “isso, esse”, relativos “qual, que, cujo” e indefinidos “poucos, alguém”.

Muitos alunos acham “chique” usarem ênclise, mas muitas vezes utilizam errado.

Outro caso que deve ser penalizado é caso o aluno use o pronome reto em lugar dos átonos, como:

Devemos ajudar eles a criarem… < Devemos ajudá-los a…

Muitas vezes existe a confusão de “nós” com “nos”.

Para facilitar, segue um fluxograma para ajudar a você e o aluno quando tiverem dúvidas:

Fluxograma criado por Thais Benedetti com GoConqr

Crase #

Essa é a temida de muitos! Os alunos muitas vezes ficam tão apavorados com ela que enfiam crase em lugares que não existe, como:

Colocam crase em “a”s comuns:

“A internet começou à receber”

“À sociedade precisa…”

É muito comum que os alunos coloquem crase antes de verbo:

“incentivar as pessoas à receberem mais…”

Em alguns casos, alunos colocam crase antes de masculino:

“à prazo”

O erro de colocar crase antes de palavras no plural também é recorrente:

“proibição à bebidas alcoólicas…” 

Crase antes de numerais:

“Isso é devido à uma desigualdade…”

Bem como antes de pronomes, sejam demonstrativos ou não:

“entregar à ela” “devido à essa problemática”…

Por outro lado, muitas vezes os estudantes esquecem de colocar a crase nas partes necessárias. Para mais detalhes sobre isso, consulte REGÊNCIA.

Rasuras #

Não devemos avaliar estética, portanto, se o estudante fizer um risco indicando que anula aquela palavra, isso não deve ser considerado;

Informalidade #

É muito comum os alunos usarem gírias e abreviações de internet, como:

Abreviações: vc, tbm, hj… Tudo isso, obviamente, deve ser penalizado.
tão, tá, pra, pro também se encaixam.

Além disso, expressões coloquiais como:

“De uns tempos para cá”

“Colocar a mão na massa”

“Arregaçar as mangas”

“muitão”

“pouquinho”

É importante ressaltar para o aluno que uma dissertação envolve seriedade, por isso, não deve escrever de forma informal.

Imprecisão vocabular #

Esse tipo de desvio deixa o texto, muitas vezes, até engraçado. Isso acontece porque o aluno ou confundiu palavras ou está tentando ser “chique” e acaba se atrapalhando por isso. Exemplos:

A pessoa coloca “escolástica” como sendo sinônimo de “escolar”;

confunde “descriminar” com “discriminar”;

deficiência como negligência ou o contrário;

tudo vai depender do contexto! Por isso é preciso estar atento se o estudante usou as palavras mais adequadas para a ideia que ele queria passar.

Conjugação verbal #

Embora esses erros não estejam na tabela acima, também são pontuados. Aqui o foco não é na concordância, mas sim no uso correto do MODO e do TEMPO verbal.

No TEMPO, o aluno quer se referir ao passado, mas usa o futuro, por exemplo.

“Na Segunda Guerra Mundial, as pessoas passarão fome…”

E quanto ao MODO, normalmente na proposta de intervenção, como:

“É preciso que a sociedade fazer uma revolução”

Esquema de correção #

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