Ensino a Distância no Ensino Médio

Educação a Distância no Ensino Médio na pandemia de Covid-19

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Sumário

Em 2020, as escolas de todo o Brasil enfrentaram um desafio: a adaptação ao ensino remoto. Adotada de forma emergencial para conter o avanço da pandemia, a educação a distância virou regra e, agora, é apontada como tendência para a formação básica.

Segundo especialistas em inovação e gestão educacional, mesmo após a pandemia de Covid-19 as escolas deverão aumentar a presença do ensino híbrido, que mistura encontros presenciais com atividades online.

Visto como uma alternativa para reduzir o déficit educacional que a crise trouxe, o ensino remoto traz grandes aprendizados para trabalhar a educação a distância na formação básica, principalmente com as mudanças trazidas pelo Novo Ensino Médio.

Neste artigo, vamos entender um pouco mais sobre o contexto da Educação a Distância no Ensino Médio, quais as suas consequências e conhecer dicas e estratégias de ensino remoto para melhorar o aprendizado. Boa leitura!

Qual a diferença entre EaD e ensino remoto?

Antes de nos aprofundarmos nas estratégias de ensino utilizadas na pandemia, é importante estabelecer uma diferenciação entre o que é o ensino a distância (EaD) e as Estratégias de Aprendizagem Remota (EAR) adotadas emergencialmente.

O termo “Educação a Distância (EaD)” é relacionado ao método de ensino que pressupõe uma organização e lógica própria. Já o “ensino remoto” está ligado à ação adotada para conter os prejuízos educacionais da pandemia. 

O EaD na Educação Básica tem suas vantagens e desvantagens, mas, no contexto atual, não se trata de uma análise exclusiva sobre ela, e sim, sobre o que está ao alcance das escolas em um momento que exige respostas rápidas e, até então, inéditas.

Em resumo:

  • Estratégias de Aprendizagem Remota (EAR): ações pedagógicas adotadas frente ao contexto de isolamento social.
  • Educação a Distância (EaD): metodologias e processos sistematizados de desenvolvimento de soluções para a aprendizagem a distância. 

Contexto: números da educação no Brasil durante a pandemia

Em um país de proporções continentais e elevados índices de desigualdade, é de se imaginar que os impactos que a pandemia causaram na educação foram diferentes na rede pública e privada.

Segundo um levantamento da Unicef, em novembro de 2020, quase 1,5 milhão de crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos não estavam frequentando a escola no Brasil, seja de forma remota ou presencial.

Essa mesma pesquisa também revela que os jovens negros e indígenas do Norte e do Nordeste do Brasil foram os que tiveram maior dificuldade para ter acesso a educação, aumentando ainda mais o déficit de aprendizagem desses grupos.

Fonte: IBGE. Pnad-Covid, nov. 2020.

Além do grupo citado acima, outros 3,7 milhões de crianças e jovens não tiveram acesso a atividades escolares e não conseguiram manter os estudos em casa, mesmo matriculados em escolas.

Outra pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) elaborou um Índice da Educação a Distância, com o objetivo de avaliar a adoção do ensino remoto nas escolas durante a pandemia.

Com base em parâmetros como meios de transmissão, formas de acesso, supervisão dos alunos e cobertura, o Índice avaliou a eficiência dos planos de educação remota de estados e capitais. Os resultados, porém, são preocupantes.

Saiba mais >> Como estamos lidando com o ensino híbrido no Brasil?

Realizado entre março e outubro de 2020, o levantamento mostra que a nota média dos planos estaduais no Índice de Educação a Distância foi de 2,38, enquanto as capitais tiveram resultado médio de 1,6, em uma escala de 0 a 10.

Entre os motivos apontados para o baixo rendimento no ensino remoto durante a pandemia, a pesquisa da FGV aponta três razões: demora na implementação dos programas, fragilidade dos programas de educação remota e falhas relacionadas ao acesso à internet.

Quatro lições para o ensino remoto eficiente

Diante do balanço sobre o desempenho nacional da educação durante a pandemia, o que poderia ter sido feito? Ainda em abril de 2020, o Todos Pela Educação emitiu uma nota técnica com algumas considerações a respeito da adoção das EAR no ensino básico.

A partir de uma análise das estratégias das redes estaduais e municipais para oferecer aulas remotas, o Todos Pela Educação levantou 4 orientações para as redes de ensino:

Fonte: Cieb (2020). Elaboração: Todos Pela Educação.

1ª Mensagem – Ensino remoto reduz déficit, mas deve ser normatizado

Segundo a nota técnica do Todos Pela Educação, as estratégias de Ensino a Distância têm um papel importante para a redução dos prejuízos causados pelo distanciamento social, mas ainda existem muitas lacunas que se acentuaram ainda mais.

Segundo a nota técnica do Todos Pela Educação, as estratégias de Ensino a Distância têm um papel importante para a redução dos prejuízos causados pelo distanciamento social, mas ainda existem muitas lacunas que se acentuaram ainda mais.

Com isso, o documento orientou a necessidade de normatizações dos órgãos reguladores e redes de ensino, para planejar um conjunto robusto de ações para o retorno às aulas.

2ª Mensagem – Estratégias de ensino remoto devem levar em conta as desigualdades pré-existentes

Para ser consistente, a adoção do ensino remoto deve levar em conta as diferentes condições de acesso à tecnologia e os efeitos do Ensino a Distância com base no desempenho dos estudantes.

Para evitar que as desigualdades aumentem com o uso do Ensino a Distância, é preciso entender que cada aluno tem acesso diferente à cultura digital e que os estudantes que já têm bons resultados escolares têm condições de se adaptarem melhor ao ensino remoto.

O estudo apresentou um balanço do contexto brasileiro no que diz respeito ao acesso a Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação, como você pode conferir a seguir:

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3ª Mensagem- “Ensino remoto não é sinônimo de aula online

A aprendizagem a distância não se resume a aulas online. Se bem trabalhadas, as atividades EaD podem garantir muito mais resultados do que apenas transmitir o conteúdo.

É importante entender o ensino remoto como algo além de plataformas de aulas online, vídeos, apresentações e conteúdo.

As experiências de aprendizagem devem ser diversificadas, com foco na criação de uma rotina positiva que garanta aos alunos estabilidade diante das mudanças de cenário na escola.

4ª Mensagem- Importância da atuação dos professores no Ensino a Distância

O protagonismo e a autonomia que o Ensino a Distância oferece não diminui o papel do professor no aprendizado.

Mesmo que as atividades escolares aconteçam na casa dos alunos, os professores seguem sendo fundamentais para o processo de ensino-aprendizagem. Segundo o Todos Pela Educação, as evidências apontam que os docentes possuem papel fundamental para que o uso de tecnologias melhorem o desempenho acadêmico dos estudantes.

Ou seja, mesmo no caso de atividades de longo alcance, como no uso da televisão, é importante estimular o envolvimento dos professores e de alternativas como a tutoria digital para atender às dúvidas e questionamentos dos alunos.

Saiba mais >> 10 benefícios da tutoria no ensino-aprendizagem dos seus alunos

Considerando a necessidade emergencial de adaptação ao ensino remoto, outro ponto importante é a formação dos docentes para trabalhar com a tecnologia.

Como mostra o quadro a seguir, baseado em um levantamento de 2017, o número de professores que demandam maior conhecimento em tecnologia é elevado, em detrimento daqueles que tiveram acesso à formação.

O EAD no Novo Ensino Médio

Embora as experiências com o ensino remoto tenham ganhado atenção durante a pandemia, a Educação a Distância no ensino básico não é novidade.

Aprovado em 2018, o Novo Ensino Médio propõe mudanças significativas na educação que vão muito além da construção de currículos alinhados à BNCC. 

Uma das inovações do projeto é a possibilidade de aulas a distância no ensino médio, bem como outras transformações que visam ampliar a cultura digital e expandir o uso da tecnologia em sala de aula.

Com a nova legislação, o Ensino a Distância passa a ser opcional no Ensino Médio, com algumas restrições. Em cursos noturnos, a carga horária EaD pode ser de até 30%, 20% para cursos diurnos e até 80% para a Educação de Jovens e Adultos (EJA).

Previsto para ser implementado em todo o país até 2022, o Novo Ensino Médio ainda está em fase de homologação dos currículos. Acompanhe como cada estado está avançando na adoção do Novo Ensino Médio através do observatório do Movimento pela Base.

Quais as consequências do ensino remoto na educação básica?

A maior aceitação do ensino remoto e da Educação a Distância são sinais de que a sociedade está caminhando para um novo período: a era digital.

Apesar de todas as dificuldades encontradas, é inegável que o uso de tecnologias digitais têm contribuído para reduzir os efeitos colaterais do distanciamento.

Como vimos neste artigo, o acesso à tecnologia, à internet e aos meios básicos para acompanhar o desenvolvimento dos alunos têm influência direta sobre o aumento da desigualdade educacional no país.

As pesquisas são fundamentais para pressionar o poder público no sentido de adoção de novas políticas públicas educacionais que garantam uma maior inclusão digital no país.

diferencial competitivo para escolas

Maior participação das famílias e valorização dos professores

Com mais tempo em casa e em contato com os filhos, um dos impactos mais fortes da pandemia na educação dos jovens foi a aproximação da família com a escola.

O estudo “Educação não presencial na perspectiva dos estudantes e suas famílias”’, da Fundação Lemann, apontou que 51% das famílias se sentiram mais presentes na educação dos filhos durante a pandemia.

A pesquisa também revela o reconhecimento das famílias pelo papel do professor. Os dados mostram que 71% dos responsáveis estão valorizando mais os professores.

A maioria dos pais de estudantes (64%) também considera que o ensino remoto foi eficiente no aprendizado dos estudantes.

Conclusão

As inovações tecnológicas experimentadas durante o período de isolamento social apontam para a necessidade de avaliar o que aprendemos com o ensino remoto e o que pode ser levado para a Educação a Distância de crianças e jovens.

Diante de um contexto de grandes mudanças sociais e econômicas, o Ensino a Distância deve fazer parte do processo de ensino aprendizagem dos estudantes da educação básica.

Antecipar as mudanças, antes de inovar, é estar preparado para absorver os benefícios que a tecnologia oferece e reduzir os efeitos colaterais antes que eles cheguem aos alunos. E nesse sentido, a principal ferramenta é a informação.

Fontes

Ensino a Distância na educação básica frente à pandemia da Covid-19

Pandemia faz famílias valorizarem mais os professores

Aprendizagem remota em tempos de pandemia

Cenário da Exclusão Escolar no Brasil

Uma avaliação dos programas de educação pública remota dos estados e capitais brasileiros durante a pandemia do Covid-19

Teletrabalho e ensino à distância na pandemia: quais são as consequências?

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Rodrigo Dutra

Rodrigo Dutra

Estrategista de marca e especialista de conteúdo, minha missão é encontrar formas de flexibilizar e personalizar o aprendizado para que alunos irem além de seus potenciais.

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